Um estudo realizado na Universidade Massey, na Nova Zelândia, acendeu um alerta importante para a prática clínica veterinária: 39% dos tutores de gatos não seguem corretamente as orientações de medicação prescritas pelos veterinários.
A investigação foi conduzida por pesquisadores da Faculdade de Ciências Veterinárias da instituição e analisou 66 tutores entre janeiro de 2019 e julho de 2020. Todos os participantes haviam recebido prescrições médicas para seus gatos durante ou após consultas eletivas. O acompanhamento posterior permitiu avaliar se os tratamentos foram concluídos corretamente.
Dificuldade na administração é um dos principais entraves
Os dados mostraram que um em cada quatro tutores relatou dificuldades para administrar medicamentos, sendo a principal causa a resistência dos próprios gatos.
E não é novidade para quem convive com felinos:
- São mais seletivos;
- Toleram mal contenção física;
- Podem reagir com medo ou comportamento defensivo.
Estudos citados na pesquisa indicam que até 45% dos gatos tentam morder ou arranhar durante a administração de medicamentos, o que aumenta o estresse tanto do animal quanto do tutor.
Experiência nem sempre significa melhor adesão
Um dado curioso chamou atenção dos pesquisadores: quanto maior a experiência prévia do tutor com gatos, menor a adesão às recomendações veterinárias.
A hipótese levantada é que tutores de primeira viagem tendem a seguir as orientações de forma mais rigorosa, enquanto tutores mais experientes podem confiar excessivamente em práticas anteriores ou adaptar o tratamento por conta própria.
Antibióticos orais: o maior desafio
A administração oral de antibióticos foi apontada como um fator de risco significativo para a não adesão ao tratamento.
Cerca de 21% dos tutores interromperam ou deixaram de administrar a medicação oral conforme indicado.
Esse dado preocupa especialmente quando envolve antimicrobianos. A interrupção precoce ou doses incorretas podem:
- Reduzir a eficácia terapêutica;
- Provocar variações na concentração do medicamento no organismo;
- Contribuir para o uso inadequado de antibióticos;
- Favorecer o desenvolvimento de resistência bacteriana.
O que pode ser feito?
Os pesquisadores defendem que é urgente implementar estratégias para melhorar a adesão aos tratamentos felinos. Entre as recomendações estão:
- Comunicação clara e objetiva por toda a equipe veterinária;
- Demonstração prática de como administrar os medicamentos;
- Adaptação das prescrições à experiência do tutor;
- Verificação da palatabilidade e viabilidade dos medicamentos antes da alta.
Mais do que prescrever, é fundamental garantir que o tutor se sinta seguro e capaz de realizar o tratamento em casa.
O recado é direto
Medicação incompleta não é apenas um detalhe, pode comprometer totalmente a recuperação do animal.
Se você é tutor, não hesite em pedir orientação prática ao veterinário. E se você é profissional da área, talvez seja hora de reforçar a comunicação e a educação dos tutores.
Porque tratar um gato não é só sobre o remédio é sobre garantir que ele seja administrado corretamente até o fim. 🐾
Fonte: www.veterinaria-atual.pt — Adaptação: Equipe WeLovePet




