Dois estudos do Dog Aging Project analisaram como os tutores vivenciam a morte dos seus cães e como os profissionais veterinários podem oferecer melhor suporte durante o fim de vida dos animais de companhia. As pesquisas foram publicadas no Journal of the American Veterinary Medical Association e revelam que o impacto emocional da perda é profundo, independentemente das circunstâncias da morte.
Segundo a pesquisadora Kellyn McNulty, o vínculo entre humanos e animais é determinante nesse processo:
“A ligação entre humanos e animais é muito forte e, independentemente de como um cão falece, esse vínculo não muda.”
Como os estudos foram realizados
O Dog Aging Project utilizou dados da pesquisa chamada End of Life Survey (EOLS), na qual tutores relataram:
- circunstâncias da morte dos cães
- percepção sobre dor e sofrimento
- qualidade de vida no fim da vida
- decisões relacionadas à eutanásia
Um dos estudos analisou como os tutores identificam sinais de dor e sofrimento, enquanto o outro comparou perdas por eutanásia e morte não assistida.
Principais motivos para a eutanásia
Os resultados mostram que os fatores mais citados pelos tutores foram:
- dor e sofrimento
- prognóstico desfavorável
- diminuição da qualidade de vida
Entre os sinais observados pelos tutores estavam:
- dificuldade de mobilidade
- vocalizações diferentes
- mudanças sutis na expressão facial
- alterações de comportamento
Os pesquisadores também destacam que alguns tutores têm dificuldade em diferenciar dor de alterações naturais do envelhecimento, o que pode influenciar decisões importantes.
Eutanásia ou morte natural: o luto é semelhante
O segundo estudo revelou que as emoções associadas à perda, como tristeza, culpa e luto, são semelhantes independentemente da forma de morte.
A morte súbita foi mais comum nos casos sem eutanásia, mas o impacto emocional foi comparável entre os grupos.
De acordo com o coautor Jake Ryave:
“Perdas inesperadas podem deixar os tutores sem o mesmo suporte que uma eutanásia numa clínica veterinária.”
O papel dos veterinários no fim de vida
Os dois estudos reforçam a importância de os veterinários:
- melhorarem a comunicação com os tutores
- explicarem sinais de dor crônica
- orientarem sobre qualidade de vida
- falarem sobre cuidados paliativos
- oferecerem apoio emocional no luto
Além disso, os pesquisadores destacam que o suporte deve existir independentemente da forma como o animal faleceu.
“Os animais vêm sempre acompanhados de pessoas, e apoiar essas pessoas também faz parte da nossa responsabilidade como profissionais de medicina veterinária”, conclui Jake Ryave.
A perda de um pet é um momento delicado e o acolhimento, a informação e o suporte fazem toda a diferença para quem enfrenta o luto.
Fonte: www.veterinaria-atual.pt — Adaptação: Equipe WeLovePet




