Estudo brasileiro sobre controle da dor em cadelas reforça a importância da analgesia no pós-operatório; mudanças sutis de comportamento podem indicar desconforto
Depois de uma castração ou outra cirurgia, é comum o tutor chegar em casa preocupado com pontos, curativos e alimentação.
Mas existe outro cuidado igualmente importante: a dor.
Cães nem sempre demonstram desconforto chorando ou ganindo. Em alguns casos, os sinais aparecem como mudanças discretas no comportamento.
Uma pesquisa brasileira publicada na revista científica Frontiers in Veterinary Science reforça a importância do controle adequado da dor durante a recuperação de procedimentos cirúrgicos.
Como perceber que o cachorro está com dor?
O tutor deve conhecer principalmente o comportamento habitual do próprio animal.
Depois de uma cirurgia, algumas alterações podem indicar desconforto, especialmente quando aparecem juntas ou se tornam mais intensas.
O cachorro pode ficar mais quieto, evitar movimentar-se, demonstrar dificuldade para encontrar uma posição confortável, perder o interesse pela comida ou reagir quando determinada região do corpo é tocada.
Mudanças na postura e na interação com as pessoas também merecem atenção.
O ponto principal é: não espere o cachorro chorar para considerar que ele pode estar sentindo dor.
O que o estudo brasileiro descobriu?
A pesquisa acompanhou 30 cadelas, divididas aleatoriamente em três grupos, submetidas a ovario-histerectomia e mastectomia unilateral.
Os cientistas compararam protocolos contendo uma associação de tramadol e dipirona, tramadol isolado ou dipirona isolada. Todos os animais também receberam meloxicam como parte do protocolo multimodal de analgesia.
A dor foi avaliada com escalas específicas utilizadas na medicina veterinária e também com outros indicadores.
Os animais que receberam a associação de tramadol e dipirona apresentaram melhor controle da dor no período inicial do pós-operatório em algumas das avaliações realizadas. Após o início do tratamento oral, nenhum cão desse grupo precisou de analgesia de resgate, enquanto dois animais de cada um dos outros grupos precisaram.
Os pesquisadores, no entanto, ressaltam limitações importantes: foram apenas 30 cães, com dez em cada grupo, e são necessários estudos maiores para compreender melhor o papel dessa associação nos protocolos cirúrgicos.
Isso significa que posso dar dipirona ou tramadol ao meu cachorro?
Não.
O resultado de uma pesquisa sobre medicamentos não deve ser transformado em orientação para automedicação.
No estudo, os cães passaram por avaliação clínica, anestesia, acompanhamento profissional e receberam doses calculadas especificamente para cada animal dentro de um protocolo que incluía outros medicamentos.
O tratamento da dor depende do procedimento realizado, peso, idade, estado de saúde, outros medicamentos utilizados e intensidade do desconforto.
Por isso, não dê medicamentos humanos ou veterinários por conta própria, mesmo que o produto já tenha sido utilizado anteriormente naquele animal.
Dor bem controlada também faz parte da recuperação
O objetivo da analgesia não é apenas deixar o animal mais confortável.
Dor inadequadamente controlada pode prejudicar a recuperação e o retorno às atividades normais. Por isso, a medicina veterinária utiliza cada vez mais a chamada analgesia multimodal, combinando estratégias que atuam por mecanismos diferentes.
Para o tutor, a tarefa é mais simples: cumprir corretamente a prescrição, respeitar os horários dos medicamentos e observar o comportamento do animal.
Se o cachorro apresentar dor intensa ou crescente, alteração importante de comportamento, problemas na região operada ou qualquer situação diferente daquela explicada pelo veterinário na alta, a equipe responsável deve ser procurada.
Pós-operatório não é apenas cuidar dos pontos. Também é garantir que o animal esteja se recuperando com o menor desconforto possível.
Fontes
- Frontiers in Veterinary Science — estudo clínico
- Portal Cães & Gatos — estudo brasileiro sobre analgesia pós-operatória




