Medicamento recém-lançado amplia as possibilidades para alguns gatos diabéticos, mas não substitui a insulina em todos os casos e exige avaliação veterinária criteriosa
Seu gato começou a beber muito mais água? O pote de areia está ficando encharcado com maior frequência? Ele parece estar com mais fome, mas mesmo assim está emagrecendo?
Essas mudanças podem parecer isoladas, mas estão entre os sinais que podem aparecer no diabetes mellitus felino.
O assunto ganha uma novidade no Brasil: foi anunciado neste mês o lançamento do Bexacat, medicamento oral à base de bexagliflozina indicado para o controle glicêmico de determinados gatos recém-diagnosticados com diabetes.
A chegada desse tipo de medicamento representa uma nova possibilidade no tratamento da doença, tradicionalmente associado à aplicação de insulina. Mas há um ponto fundamental: o comprimido não serve para todo gato diabético.
Quais sinais podem indicar diabetes no gato?
O diabetes acontece quando o organismo não consegue utilizar adequadamente a glicose presente no sangue.
Entre os sinais que podem chamar a atenção do tutor estão aumento da sede, maior produção de urina, aumento do apetite e perda de peso. Com a progressão da doença, também podem ocorrer fraqueza e outras alterações clínicas.
Nenhum desses sintomas, isoladamente, confirma diabetes. O diagnóstico depende da avaliação veterinária e de exames.
Por isso, uma mudança aparentemente simples como perceber que o gato está visitando o pote de água com muito mais frequência merece atenção.
Comprimido pode substituir as injeções de insulina?
Para alguns gatos, pode representar uma alternativa. Para outros, não.
A bexagliflozina pertence a uma classe de medicamentos chamada SGLT2. Em vez de funcionar como a insulina, ela atua favorecendo a eliminação do excesso de glicose pela urina.
As diretrizes de 2026 da American Animal Hospital Association (AAHA) reconhecem os inibidores de SGLT2 como uma opção para gatos recém-diagnosticados cuidadosamente selecionados, mas ressaltam que nem todo paciente é candidato a esse tipo de tratamento.
Isso significa que a novidade não deve ser interpretada como “fim da insulina para gatos”.
Escolher corretamente o paciente é essencial
Antes de iniciar esse tipo de tratamento, o veterinário precisa avaliar o estado geral do animal e investigar outras doenças ou condições que possam interferir no controle do diabetes.
Existe ainda um risco particularmente importante associado aos medicamentos dessa classe: o desenvolvimento de cetoacidose diabética, uma complicação potencialmente grave. Por isso, as diretrizes recomendam seleção criteriosa e monitoramento dos gatos tratados com SGLT2.
O medicamento, portanto, não deve ser usado por iniciativa do tutor nem compartilhado entre animais.
Gato diabético pode ter boa qualidade de vida
O diagnóstico de diabetes pode assustar, principalmente quando o tutor imagina uma rotina permanente de aplicações e medições.
Mas há uma informação importante: gatos diabéticos podem viver confortavelmente quando a doença é bem controlada. Em alguns pacientes, inclusive, pode ocorrer remissão do diabetes.
Além dos medicamentos, alimentação, peso corporal, acompanhamento clínico e monitoramento fazem parte do manejo.
As novas alternativas terapêuticas ampliam as possibilidades, mas a mensagem mais importante para quem convive com um gato continua sendo outra: perceber mudanças na sede, na urina, no apetite e no peso pode ajudar a descobrir a doença mais cedo.
Fontes
- AAHA — Diretrizes 2026 para diabetes em gatos
- FDA — Tratamentos orais para diabetes felino
- Portal Cães & Gatos — lançamento do Bexacat no Brasil





