Pequenos primatas são cada vez mais vistos em áreas verdes da capital, mas não são nativos do Paraná; aproximação e alimentação podem trazer riscos para os animais, pessoas e fauna local

Eles são pequenos, ágeis e costumam chamar atenção de quem passeia pelos parques de Curitiba. Basta um sagui aparecer entre as árvores para surgirem celulares, curiosos e, muitas vezes, alguém disposto a oferecer uma fruta ou outro alimento.

Mas o que parece um gesto de carinho pode causar problemas.

A Prefeitura de Curitiba acaba de reforçar um alerta sobre a presença desses animais na cidade: saguis são animais silvestres, não são pets e não devem ser alimentados pela população.

Como os saguis chegaram a Curitiba?

Apesar de hoje serem encontrados em diferentes áreas verdes da capital, os saguis não são nativos de Curitiba nem do Paraná.

Segundo a Prefeitura, esses primatas são originários de outras regiões do Brasil e foram trazidos para a cidade. Atualmente podem ser observados em bosques e parques como Barigui, Tingui e Tanguá.

Um guia do Instituto Água e Terra (IAT) explica que não existem espécies de saguis nativas da Região Sul e relaciona a introdução desses animais no Paraná, entre outros fatores, ao antigo tráfico ilegal para venda como animais de estimação.

Com o tempo, animais soltos ou abandonados conseguiram se estabelecer no ambiente.

Por que não devemos dar comida?

É justamente aqui que muitos visitantes erram.

Mesmo oferecer frutas aos saguis não é recomendado.

Quando recebem alimento das pessoas, esses animais podem passar a se aproximar cada vez mais dos humanos e modificar seu comportamento natural. A oferta de comida também pode favorecer o aumento da população de uma espécie que não pertence originalmente ao ecossistema local.

Além disso, saguis possuem dieta variada e podem predar ovos e filhotes de aves, o que significa que uma população desequilibrada também pode afetar a fauna nativa.

A regra é simples: observe, fotografe, mas não alimente.

Quem passeia com cachorro também precisa ficar atento

Encontrou um sagui durante o passeio? Mantenha o cachorro próximo e sob controle.

Não permita que o pet persiga, encurrale ou tente interagir com o animal silvestre. O mesmo cuidado vale em casas próximas de áreas verdes: cães e gatos devem ser impedidos de atacar ou se aproximar de saguis.

O contato pode terminar em mordidas, arranhões ou ferimentos tanto para o animal doméstico quanto para o silvestre.

E existe também uma questão de saúde pública.

Saguis podem transmitir raiva

O Ministério da Saúde registra casos recentes de raiva humana transmitida por primatas não humanos. Em 2025, três dos quatro casos registrados no país foram associados a primatas com variante de sagui; em 2026, até a atualização disponível, havia um caso no Piauí relacionado a primata não humano ainda em investigação quanto à variante viral.

Isso não significa que um sagui visto no parque esteja infectado.

O alerta é para não tocar, capturar ou tentar brincar com animais silvestres. Mordidas, arranhões e contato com saliva exigem atenção médica.

E se encontrar um sagui ferido?

Também não tente fazer um resgate por conta própria.

Animais silvestres feridos, debilitados ou em situação de risco devem ser manejados por pessoas capacitadas. O ideal é manter distância, impedir a aproximação de cães, gatos e outras pessoas e procurar orientação dos órgãos ambientais responsáveis.

A convivência com a fauna urbana não precisa significar afastamento mas precisa ter limites.

Como resume a orientação dos especialistas: podemos observar e fotografar os saguis, desde que respeitemos seu espaço e deixemos a comida por conta da natureza.

Fontes

  • Prefeitura de Curitiba — presença de saguis na cidade e orientação para não alimentar
  • Instituto Água e Terra (IAT) — saguis como espécie exótica no Paraná
  • Ministério da Saúde — raiva humana e primatas não humanos
  • Instituto Butantan — convivência segura com saguis

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!