Estudo analisou 45 cães após ingestão de hidrogel presente em itens como máscaras geladas e compressas; tremores, convulsões e mortes foram registrados
Uma máscara de gel para dor de cabeça, uma compressa reutilizável ou até determinados produtos refrescantes para pets podem parecer inofensivos.
Mas um novo estudo traz um alerta importante para quem tem cachorro em casa: alguns produtos à base de hidrogel podem representar risco grave quando são rasgados e o conteúdo é ingerido pelo animal.
A pesquisa, publicada em 2 de outubro no Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA), analisou 45 cães com suspeita de intoxicação por acrilamida após exposição a produtos de hidrogel à base de poliacrilamida.
O perigo pode estar dentro do produto
Os casos investigados estavam relacionados principalmente a itens como toucas de gel para enxaqueca, máscaras para os olhos e compressas.
A ASPCA também alerta para atenção com almofadas e camas refrescantes para cães que contenham hidrogel, especialmente quando usadas por animais que costumam roer objetos.
O problema não significa que todo produto de gel seja tóxico. As formulações variam.
Segundo os pesquisadores, embora a poliacrilamida seja geralmente considerada de baixo risco, alguns produtos analisados continham concentrações inesperadamente altas de acrilamida residual, substância com ação neurotóxica.
Quais sinais apareceram nos cães?
Entre os 45 animais analisados, os pesquisadores observaram sinais como:
- vômitos;
- tremores musculares;
- dificuldade para caminhar e perda de coordenação;
- aumento da frequência cardíaca;
- agitação e outras mudanças de comportamento;
- maior sensibilidade ao som ou ao toque;
- convulsões.
O dado mais preocupante aparece entre os animais cujo desfecho era conhecido. Dos 21 cães com informações sobre o resultado clínico, 14 morreram ou precisaram passar por eutanásia e sete se recuperaram.
É importante interpretar esse número corretamente: ele se refere somente aos 21 casos com desfecho conhecido e não significa que 67% de todos os cães que mordem qualquer produto de gel morrerão.
O estudo encontrou acrilamida nos produtos
Os pesquisadores também analisaram amostras de hidrogel associadas aos casos.
Foram encontradas concentrações de acrilamida entre 12.900 e 51.800 partes por milhão (ppm) nas amostras testadas valores considerados pelos autores suficientemente altos para representar risco clínico.
O estudo tem limitações importantes: apenas três amostras de produtos foram analisadas, as quantidades ingeridas pelos cães não eram conhecidas e faltavam informações sobre o desfecho de mais da metade dos animais. Por isso, os resultados não permitem afirmar que todos os produtos de hidrogel apresentem o mesmo risco.
Tenho uma cama refrescante em casa. Preciso jogar fora?
Não necessariamente.
A recomendação da ASPCA é supervisionar o uso, principalmente quando o cachorro tem hábito de mastigar ou destruir objetos. Produtos humanos com gel, como máscaras, compressas e toucas para enxaqueca, devem permanecer fora do alcance dos animais.
Vale também verificar a composição e o estado do produto. Se uma almofada ou cama estiver rasgada ou vazando, o cachorro não deve ter acesso ao conteúdo.
E se o cachorro comer o gel?
Nesse caso, não espere aparecerem sintomas.
A orientação da ASPCA é entrar em contato imediatamente com um médico-veterinário quando houver suspeita de ingestão de hidrogel. Se o animal já estiver apresentando tremores, dificuldade para caminhar, convulsões ou outros sinais neurológicos, a situação deve ser tratada como emergência veterinária.
Também é útil levar a embalagem ou uma fotografia do rótulo para que o profissional consiga identificar os ingredientes.
O alerta deixa uma mensagem simples para os tutores: um objeto não precisa parecer venenoso para representar risco. Para cães que adoram rasgar e mastigar tudo o que encontram, produtos recheados com gel merecem ficar sob supervisão ou bem longe dos dentes.
Fontes
- ASPCA Poison Control — alerta sobre produtos de hidrogel e cães
- JAVMA / PubMed — estudo com 45 cães e suspeita de intoxicação por acrilamida
- Veterinary Practice News — repercussão do estudo em 19/10/2026





