Farejar, explorar e escolher o caminho também fazem parte do bem-estar dos cães; duração e intensidade do passeio devem respeitar idade, saúde, porte e comportamento de cada animal
Você coloca a guia, desce com o cachorro, espera ele fazer xixi e cocô e volta para casa.
Missão cumprida?
Não necessariamente.
Para muitos cães, o passeio é um dos momentos mais importantes do dia. É quando eles encontram cheiros diferentes, observam o ambiente, exploram novos lugares e recebem estímulos que dificilmente existem dentro de casa.
E existe um comportamento especialmente importante nessa experiência:
cheirar.
Aquele cachorro que para em cada árvore, poste ou pedaço de grama não está simplesmente “enrolando” o tutor.
Ele está coletando informações sobre o ambiente.
Por isso, um bom passeio não precisa ser apenas uma caminhada rápida do ponto A ao ponto B.
Para o cachorro, o mundo também é feito de cheiros
O olfato possui importância enorme na maneira como os cães percebem o ambiente.
Um lugar que parece exatamente igual para uma pessoa pode estar completamente diferente para um cachorro.
Outro cão passou por ali.
Um animal marcou território.
Pessoas caminharam naquele espaço.
Existem restos de alimentos, plantas, terra molhada e dezenas de outros odores.
Quando o cachorro para para farejar, está explorando essas informações.
É uma atividade natural.
Por isso, puxá-lo constantemente para que caminhe mais rápido pode transformar o passeio em uma experiência muito mais limitada.
Passeio não é sinônimo de exercício intenso
Existe outra confusão comum.
Muitas pessoas imaginam que um bom passeio precisa necessariamente cansar fisicamente o cachorro.
Não é verdade para todos.
Atividade física é importante, mas o passeio também oferece estimulação mental e sensorial.
Um cão pode caminhar lentamente enquanto passa bastante tempo explorando cheiros.
Outro pode precisar de uma atividade física mais intensa.
As necessidades são individuais.
Raça, idade, condição física, saúde, temperatura, personalidade e rotina influenciam o tipo de atividade mais adequado.
Quanto tempo um cachorro deve passear?
Não existe um número universal.
A ideia de que “todo cachorro precisa passear X minutos por dia” simplifica demais uma necessidade que varia bastante entre os animais.
Um cão jovem, saudável e muito ativo pode precisar de uma rotina bastante diferente daquela adequada para um cachorro idoso.
Filhotes também possuem limitações específicas.
Animais com doenças cardíacas, respiratórias, ortopédicas ou outras condições podem precisar de atividades adaptadas pelo médico-veterinário.
Até dois cães da mesma raça e idade podem apresentar níveis de energia diferentes.
Por isso, o melhor passeio é aquele adequado ao indivíduo.
Deixar o cachorro escolher também pode fazer parte
Em alguns momentos do passeio, quando o local for seguro, o tutor pode permitir que o cão participe das decisões.
Virar para um lado.
Parar para investigar uma árvore.
Caminhar um pouco mais devagar.
Explorar determinada área.
Isso não significa deixar o animal controlar situações perigosas ou permitir que atravesse ruas sem segurança.
Significa criar momentos em que o passeio não seja comandado exclusivamente pela pressa humana.
É uma maneira simples de aumentar as oportunidades de exploração.
“Mas meu cachorro para em absolutamente tudo”
Alguns cães realmente gostam de investigar cada centímetro.
Nesse caso, é possível equilibrar a caminhada.
Parte do passeio pode ser utilizada para deslocamento e atividade física, enquanto outra parte pode ser dedicada à exploração livre de cheiros.
O importante é entender que farejar não é necessariamente um comportamento que precisa ser corrigido.
Na maioria das situações, é exatamente o contrário:
é um comportamento natural que pode ser incentivado de maneira segura.
E quando o cachorro puxa a guia?
Puxar constantemente pode transformar o passeio em uma experiência desconfortável tanto para o tutor quanto para o animal.
Mas simplesmente responder puxando ainda mais forte nem sempre resolve.
O comportamento pode estar associado a excitação, ansiedade, falta de aprendizado, medo ou ao desejo de alcançar rapidamente determinado estímulo.
Treinamento baseado em reforço positivo pode ajudar o cachorro a aprender a caminhar de maneira mais tranquila.
Nos casos mais difíceis, orientação profissional pode ser necessária.
E atenção aos equipamentos utilizados.
Coleira, peitoral e guia precisam ser adequados ao porte, à anatomia e ao comportamento daquele animal.
Passeio também exige segurança
Dar liberdade para explorar não significa diminuir os cuidados.
Algumas regras continuam essenciais.
Use guia em espaços públicos onde ela é exigida ou necessária.
Mesmo um cachorro considerado obediente pode reagir de maneira inesperada diante de outro animal, um barulho forte, veículo ou situação assustadora.
Também é importante manter identificação atualizada.
Plaquinha com contato e microchip, quando disponível, aumentam as possibilidades de identificação caso o animal se perca.
Cuidado com o chão quente
Antes de sair, especialmente nos dias mais quentes, o tutor precisa considerar a temperatura do ambiente.
As almofadas das patas ficam diretamente em contato com o solo.
Asfalto e calçadas expostos ao sol podem atingir temperaturas capazes de provocar desconforto e queimaduras.
Horários mais amenos costumam ser melhores para atividades externas durante períodos de calor.
Se houver dúvida sobre a temperatura do piso, evite expor o animal.
Água pode ser necessária
Em passeios mais longos, atividades intensas ou dias quentes, é importante garantir acesso à água.
O cachorro também deve ter oportunidade de descansar.
Ofegação excessiva, dificuldade para acompanhar a caminhada, fraqueza, desorientação ou alterações importantes durante o exercício são sinais para interromper a atividade.
Se houver sinais preocupantes, procure atendimento veterinário.
Nem todo cachorro quer cumprimentar outro cachorro
Esse é um ponto importante de etiqueta pet.
Encontrar outro cão na rua não significa que os dois precisam interagir.
Alguns animais são sociáveis.
Outros sentem medo.
Alguns estão em treinamento.
Outros podem estar doentes, em recuperação ou simplesmente não gostam da aproximação de desconhecidos.
Antes de permitir o contato, pergunte ao outro tutor.
E observe a linguagem corporal dos animais.
Forçar interação não é socialização.
Recolher as fezes também faz parte
Passeio responsável inclui levar saquinhos e recolher as fezes do animal.
Além da questão de convivência urbana, fezes deixadas em áreas públicas podem contribuir para contaminação ambiental e disseminação de determinados agentes e parasitas.
É um cuidado simples que beneficia animais, pessoas e a própria cidade.
E os cães que têm quintal?
Ter quintal não significa necessariamente que o cachorro não precise passear.
O ambiente doméstico tende a ser previsível.
Os mesmos cheiros.
Os mesmos objetos.
Os mesmos limites.
O passeio oferece novidades e estímulos diferentes.
É claro que a necessidade varia conforme o animal, mas simplesmente ter espaço físico em casa não substitui automaticamente oportunidades de exploração e interação com ambientes diferentes.
Um passeio mais interessante pode começar amanhã
Não é necessário comprar nenhum equipamento sofisticado para melhorar a caminhada.
Na próxima saída, experimente diminuir um pouco o ritmo.
Observe o cachorro.
Quando estiver em um lugar seguro, deixe que ele investigue aquela árvore por alguns segundos a mais.
Permita algumas escolhas.
Veja quais lugares despertam mais interesse.
Talvez vocês percorram menos metros.
Mas, para o cachorro, aquele passeio pode ter sido muito mais rico.
Porque uma caminhada de qualidade não é medida apenas pela distância percorrida.
Às vezes, cinco minutos explorando um cheiro interessante dizem muito mais para um cachorro do que atravessar várias quadras com pressa.




