Combate aos parasitas vai além de aplicar um produto quando o pet começa a se coçar; ambiente, rotina e orientação veterinária também fazem parte da prevenção

Uma coceira aqui, um carrapato encontrado depois do passeio ou pequenos pontos escuros no pelo.

Muitas vezes é somente nesse momento que o tutor lembra dos parasitas. Mas esperar o problema aparecer para começar a prevenção pode deixar cães e gatos desprotegidos.

Pulgas, carrapatos e parasitas internos não são apenas um incômodo.

Dependendo do parasita envolvido, eles podem provocar problemas de pele, anemia, alterações gastrointestinais e transmitir doenças.

E existe outro detalhe importante: combater apenas aquilo que conseguimos enxergar no animal nem sempre resolve o problema.

Veja oito erros comuns que merecem atenção.

1. Só usar antiparasitário quando encontrar pulgas ou carrapatos

Esse é provavelmente um dos erros mais comuns.

O tutor encontra uma pulga, aplica um produto e considera o problema resolvido.

Mas a estratégia adequada de controle depende do risco individual do animal, do ambiente onde vive, dos passeios que realiza, do contato com outros animais e do produto utilizado.

Existem medicamentos com diferentes formas de administração e períodos de proteção.

Por isso, a prevenção deve ser planejada com orientação veterinária e não apenas iniciada depois que os parasitas aparecem.

2. Tratar o pet e esquecer da casa

Quando falamos em pulgas, olhar somente para o animal pode não ser suficiente.

Parte do ciclo desses parasitas acontece no ambiente.

Camas, cobertores, frestas e outros locais onde o animal permanece podem fazer parte desse ciclo.

Isso explica por que algumas famílias tratam o cachorro ou gato e, algum tempo depois, percebem novamente a presença de pulgas.

Dependendo da infestação, o controle ambiental também pode ser necessário.

A orientação profissional ajuda a definir como fazer isso de forma segura, especialmente porque determinados produtos utilizados no ambiente podem representar risco aos animais.

3. Usar produto de cachorro em gato

Este cuidado é fundamental.

Nunca presuma que um antiparasitário utilizado em cães também pode ser utilizado em gatos.

As espécies metabolizam determinadas substâncias de maneiras diferentes.

Produtos formulados para cães podem conter princípios ativos ou concentrações inadequadas para felinos.

Por isso, antes de utilizar qualquer antipulgas ou carrapaticida, confira claramente para qual espécie o produto foi desenvolvido e siga a orientação do médico-veterinário e do fabricante.

Se houver aplicação acidental de um produto inadequado, procure orientação veterinária imediatamente.

4. Escolher a dose sem considerar o peso

Produtos antiparasitários podem ser comercializados em apresentações diferentes conforme o peso do animal.

Usar uma apresentação inadequada pode comprometer tanto a segurança quanto a eficácia do tratamento.

O peso do pet também muda ao longo da vida.

Um filhote cresce.

Um animal adulto pode ganhar ou perder peso.

Por isso, não é uma boa ideia continuar utilizando automaticamente a mesma apresentação durante anos sem conferir se ela continua adequada.

5. Achar que pet que não sai de casa está totalmente protegido

Gatos que vivem exclusivamente dentro de casa e cães com poucos passeios podem apresentar risco menor para determinados parasitas.

Mas risco menor não significa necessariamente risco zero.

Pessoas e outros animais podem transportar parasitas ou formas presentes no ambiente para dentro da residência.

Além disso, cada região possui características epidemiológicas próprias.

É por isso que a necessidade e a frequência da prevenção devem ser avaliadas individualmente.

6. Esquecer dos vermes porque eles não aparecem nas fezes

Nem todo parasita intestinal será facilmente percebido pelo tutor.

A ausência de vermes visíveis nas fezes não é suficiente para afirmar que o animal não possui parasitas.

Algumas infecções podem provocar diarreia, perda de peso, alterações no apetite ou outros sinais.

Outras podem permanecer discretas.

A estratégia de controle de parasitas internos deve considerar idade, estilo de vida, ambiente, histórico clínico e exposição do animal.

Em determinados casos, o médico-veterinário também poderá solicitar exame de fezes.

7. Repetir um vermífugo antigo sem orientação

“Eu sempre dei esse” não significa necessariamente que aquele medicamento continue sendo a melhor opção.

Existem diferentes parasitas internos e diferentes princípios ativos.

Além disso, filhotes, adultos, idosos, animais gestantes e pets com determinadas condições de saúde podem ter necessidades distintas.

O esquema também pode variar conforme o risco de exposição.

Por isso, não existe uma única frequência de vermifugação que possa ser recomendada indiscriminadamente para todos os cães e gatos.

8. Ignorar um carrapato porque encontrou apenas um

Encontrar um único carrapato já merece atenção.

Além de verificar cuidadosamente o animal, é importante considerar onde ele esteve e observar possíveis alterações posteriores.

Carrapatos podem transmitir agentes causadores de doenças.

No Brasil, a preocupação não se limita aos cães. Algumas espécies também têm importância para a saúde humana.

Se o animal apresentar apatia, febre, perda de apetite, alterações nas mucosas ou qualquer mudança importante depois de exposição a carrapatos, procure atendimento veterinário.

Carrapato não deve ser arrancado de qualquer jeito

Ao encontrar um carrapato preso à pele, evite receitas caseiras.

Não aplique álcool, óleo, fogo ou substâncias irritantes sobre o parasita.

A retirada precisa ser cuidadosa para evitar machucar a pele e reduzir o risco de deixar partes do carrapato aderidas.

Se você não souber realizar a remoção corretamente ou encontrar uma infestação significativa, procure orientação veterinária.

Coceira nem sempre significa pulga

Outro erro é associar automaticamente qualquer coceira a parasitas.

Pulgas podem provocar coceira intensa e alguns animais desenvolvem reações alérgicas às picadas.

Mas problemas dermatológicos também podem estar associados a alergias, infecções, ácaros e várias outras condições.

Se a coceira for persistente, houver perda de pelos, feridas, vermelhidão ou mudanças na pele, o animal precisa ser avaliado.

Aplicar sucessivamente produtos antipulgas sem descobrir a causa pode apenas atrasar o diagnóstico.

Existe um calendário universal de antiparasitários?

Não.

Essa é uma informação especialmente importante para o tutor.

A frequência ideal de controle contra pulgas, carrapatos e parasitas internos depende de fatores como:

  • espécie;
  • idade;
  • peso;
  • região onde o animal vive;
  • frequência dos passeios;
  • acesso à rua;
  • contato com outros animais;
  • presença de crianças ou outros grupos vulneráveis na residência;
  • viagens;
  • histórico de infestações;
  • produto utilizado.

Além disso, cada medicamento possui duração e indicação próprias.

Por isso, aquela regra repassada entre conhecidos “dê isso a cada tantos meses” não deve substituir uma estratégia individualizada.

Prevenção também protege a família

O controle de parasitas não diz respeito somente ao conforto do pet.

Alguns parasitas e agentes transmitidos por eles têm importância para a saúde humana.

É mais um exemplo da conexão entre saúde animal, saúde das pessoas e ambiente.

Para o tutor, a melhor estratégia não é esperar encontrar uma infestação.

É conversar com o médico-veterinário e estabelecer um protocolo adequado à realidade daquele animal.

Porque, quando o assunto são parasitas, aquilo que você não consegue enxergar também pode merecer atenção.

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