Levantamentos de 2026 mostram força da adoção e ajudam a revelar uma transformação maior: cães e gatos ocupam cada vez mais espaço na vida e na família dos brasileiros
Adotar, comprar, ganhar de alguém ou simplesmente encontrar um animal na rua e decidir que, daquele momento em diante, ele terá uma casa.
Os caminhos que levam cães e gatos até as famílias brasileiras são diferentes. Mas novos dados ajudam a mostrar que a adoção já ocupa um espaço importante nessa história.
Uma pesquisa sobre o mercado pet brasileiro divulgada em 2026 revelou que 49% dos tutores entrevistados afirmaram ter animais que foram adotados.
O levantamento também mostrou que 30% possuem pets comprados, 27% receberam animais de outras pessoas e 8% convivem com filhotes de animais que já tiveram ou ainda têm.
Como uma mesma pessoa pode ter mais de um pet e animais de diferentes origens, esses percentuais não precisam somar 100%.
Os números ajudam a retratar uma mudança que vai muito além da maneira como o animal chega à residência.
Eles mostram como cães, gatos e outros pets vêm ocupando um espaço cada vez mais relevante dentro dos lares brasileiros.
Cães ainda predominam, mas os gatos conquistaram seu espaço
Entre os entrevistados que possuem animais, os cães aparecem na liderança.
76% disseram ter cachorro em casa.
Os gatos aparecem em seguida, presentes na casa de 37% dos entrevistados.
Também aparecem aves e pássaros (8%), peixes (4%), tartarugas ou jabutis (2%), coelhos (2%), além de hamsters, répteis e outras espécies.
Isso mostra que falar sobre o universo pet brasileiro significa olhar para uma população bastante diversa de animais — embora cães e gatos ainda concentrem grande parte da relação entre tutores e pets.
Entre os gatos, acolhimento e adoção têm peso ainda maior
Outro levantamento realizado em 2026 ajuda a entender especialmente a relação dos brasileiros com os gatos.
O Estudo CVA Petcare 2026 ouviu 4.032 consumidores, compradores e tutores de cães e gatos, abrangendo as cinco regiões do Brasil.
Entre os resultados divulgados, aproximadamente metade dos tutores de gatos afirmou que seus felinos chegaram até eles por adoção ou após terem sido encontrados na rua.
É uma característica interessante da relação entre brasileiros e felinos.
Muitas histórias começam sem planejamento: um gato aparece no quintal, é encontrado na rua, nasce em uma comunidade ou é apresentado por alguém que procura um novo lar para o animal.
O acolhimento acaba se transformando em vínculo.
Mas nem todo animal tem a mesma chance de ser escolhido
O crescimento da adoção não significa que todos os animais disponíveis encontrem uma família com a mesma facilidade.
Uma pesquisa nacional divulgada em junho de 2026 sobre animais mantidos por ONGs e abrigos brasileiros revelou que características como idade, porte, cor da pelagem e condição de saúde podem influenciar as chances de adoção.
Animais idosos, pets com limitações de saúde e determinados animais que não correspondem às preferências estéticas dos interessados podem permanecer por períodos maiores esperando uma família.
Esse cenário produz aquilo que organizações de proteção animal frequentemente descrevem como animais “invisíveis” para a adoção.
Eles estão disponíveis.
Mas acabam sendo constantemente preteridos.
Adotar não deveria ser escolher apenas pela aparência
É natural que uma pessoa tenha preferências.
O problema surge quando características estéticas passam a ser praticamente o único critério para decidir qual animal merece uma oportunidade.
Um filhote pode chamar atenção rapidamente.
Um cão adulto talvez passe despercebido.
Um gato com determinada aparência pode receber dezenas de interessados enquanto outro, igualmente sociável, permanece esperando.
Por isso, uma adoção responsável começa antes de olhar apenas para a fotografia.
O interessado precisa avaliar principalmente se aquele animal é compatível com sua rotina, espaço, disponibilidade, condições financeiras e dinâmica familiar.
Filhote ou adulto?
Filhotes costumam despertar muito interesse, mas exigem dedicação.
Precisam aprender regras da casa, podem destruir objetos, demandam acompanhamento veterinário, vacinação, socialização e adaptação.
Animais adultos também precisam de período de adaptação, mas apresentam uma vantagem importante: muitas características de personalidade e porte já podem ser conhecidas.
Isso pode ajudar a encontrar um animal realmente compatível com a família.
Um cachorro adulto tranquilo, por exemplo, pode fazer muito mais sentido para determinada residência do que um filhote extremamente ativo escolhido apenas porque era pequeno e fofo.
E os animais idosos?
Pets idosos também podem ser excelentes companheiros.
Antes da adoção, porém, o interessado precisa compreender que animais mais velhos podem exigir acompanhamento veterinário mais frequente e eventualmente desenvolver condições relacionadas à idade.
Isso não torna a adoção menos válida.
Torna a decisão mais consciente.
A pergunta deixa de ser apenas:
“Qual animal eu acho mais bonito?”
e passa a ser:
“Para qual animal eu realmente consigo oferecer uma boa vida?”
Adoção responsável não termina quando o pet chega em casa
Levar o animal para casa é apenas o começo.
Antes da adoção, toda família deveria considerar alguns pontos:
- haverá recursos para alimentação e atendimento veterinário?
- quem ficará responsável pelo animal?
- a residência permite manter aquele pet com segurança?
- todos que moram na casa concordam com a adoção?
- existe disponibilidade para passeios, brincadeiras e interação?
- o que acontecerá durante viagens?
- a família está preparada para cuidar desse animal durante toda a vida?
Cães e gatos podem viver muitos anos.
A decisão tomada hoje pode representar um compromisso por mais de uma década.
A adaptação também precisa de tempo
Nem todo animal chega à nova casa e imediatamente entende que aquele lugar é seu novo lar.
Alguns podem se esconder.
Outros demonstram medo, ficam mais quietos ou apresentam dificuldades iniciais de comportamento.
Animais que passaram por abandono ou viveram longos períodos em abrigos podem precisar de ainda mais paciência.
Isso não significa necessariamente que a adoção “deu errado”.
Adaptação é um processo.
O ambiente mudou, os cheiros mudaram, as pessoas são desconhecidas e toda a rotina precisa ser aprendida novamente.
Devolver um animal também tem consequências
Outro ponto levantado por estudos sobre adoção é o período pós-adoção.
Quando a escolha é feita por impulso ou baseada somente na aparência, aumentam as chances de incompatibilidade entre as expectativas da família e o comportamento real do animal.
Por isso, ONGs e protetores responsáveis costumam fazer entrevistas, questionários e acompanhamento antes ou depois da adoção.
Essas etapas podem parecer burocráticas para quem está ansioso para levar um pet para casa, mas têm um objetivo importante: aumentar as chances de aquela adoção ser definitiva.
O Brasil está mudando sua relação com os animais
Os números de 2026 ajudam a mostrar uma transformação que já pode ser percebida dentro das casas.
Os animais não aparecem apenas como propriedade ou companhia ocasional.
Para muitas pessoas, eles participam efetivamente da rotina familiar.
E quando quase metade dos tutores pesquisados afirma conviver com animais adotados, existe também uma mensagem importante para quem pensa em aumentar a família:
um companheiro não precisa ser comprado para ser escolhido.
Em abrigos, lares temporários, projetos de proteção e até nas ruas brasileiras existem cães e gatos esperando uma oportunidade.
Talvez o próximo membro da família esteja justamente entre aqueles que quase ninguém para para olhar.
Fontes: content.app-us1.com / www.cnnbrasil.com.br / caesegatos.com.br




