Investigação durou seis meses e chama atenção para um problema que ultrapassa os maus-tratos físicos: a produção e circulação de violência contra animais no ambiente digital
Um adolescente de 15 anos foi apreendido em São Luís, no Maranhão, sob suspeita de torturar mais de 200 filhotes de gatos durante transmissões ao vivo realizadas pela internet.
O caso foi divulgado nesta semana e chama atenção não apenas pela quantidade de animais que teriam sido vítimas, mas também pela forma como os maus-tratos eram transformados em conteúdo digital.
A investigação foi conduzida pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, em parceria com a Polícia Federal, e durou aproximadamente seis meses.
Segundo informações divulgadas sobre a investigação, o adolescente teria submetido vários animais a maus-tratos durante transmissões realizadas de madrugada.
Por se tratar de um adolescente, sua identidade deve ser preservada.
Investigação chegou até o Maranhão
A apuração realizada pelas autoridades buscou identificar quem estava por trás das transmissões e localizar o responsável.
Segundo a investigação, o adolescente utilizava o ambiente virtual para divulgar os atos de violência contra os animais.
Após a identificação, ele foi apreendido em São Luís e deverá cumprir medida de internação em São Paulo.
O caso evidencia um desafio cada vez mais importante para a proteção animal: identificar situações em que a violência não acontece apenas longe dos olhos do público, mas é registrada e distribuída deliberadamente pela internet.
Mais de 200 gatos podem ter sido vítimas
A estimativa apresentada pela investigação aponta que mais de 200 filhotes de gatos teriam sido submetidos a maus-tratos.
Segundo a delegada Lisandrea Salvariego, responsável pelo Noad, o adolescente chegaria a maltratar entre cinco e seis animais por madrugada.
As autoridades também investigam outras condutas relacionadas à atuação do adolescente no ambiente digital.
O caso ainda está sob investigação e, portanto, é importante diferenciar aquilo que já foi identificado pelas autoridades das responsabilidades que ainda serão apuradas.
Violência contra animais também pode acontecer no ambiente digital
Casos como esse mostram que a proteção animal ganhou uma nova frente de atuação.
Vídeos, transmissões ao vivo, grupos fechados e perfis falsos podem ser utilizados para divulgar imagens de violência e conectar pessoas interessadas nesse tipo de conteúdo.
Segundo dados apresentados pelo Núcleo de Observação e Análise Digital, houve aumento de 200% nos registros de zoosadismo virtual entre 2025 e 2026.
Desde a criação do núcleo, em 2024, as investigações conduzidas pelo Noad contribuíram para o resgate de cerca de 1,2 mil animais, segundo informações divulgadas pelo órgão.
Maus-tratos contra cães e gatos são crime no Brasil
A legislação brasileira criminaliza atos de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação de animais.
No caso específico de cães e gatos, a Lei Federal nº 14.064/2020 aumentou a punição prevista para esse tipo de crime.
A legislação estabelece pena de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda quando os maus-tratos são praticados contra cães ou gatos.
Quando há morte do animal, a pena pode ser aumentada.
Por se tratar de um adolescente no caso investigado no Maranhão, aplicam-se as regras específicas previstas para menores de 18 anos.
Viu conteúdo de maus-tratos na internet? Não ajude a espalhar
Ao encontrar um vídeo ou transmissão mostrando possíveis maus-tratos contra animais, compartilhar o conteúdo simplesmente para demonstrar indignação pode acabar ampliando justamente o alcance buscado por quem produziu aquelas imagens.
Uma atitude mais útil é preservar as informações que possam ajudar na identificação do responsável.
Nome ou endereço do perfil, plataforma utilizada, data, horário, links e outras informações disponíveis podem ser importantes para uma denúncia.
Também é possível utilizar as ferramentas de denúncia oferecidas pela própria plataforma.
Quando houver elementos que indiquem crime, o caso deve ser comunicado às autoridades competentes.
Não é “apenas um vídeo”
Quando um animal é agredido para produzir conteúdo, existe uma vítima real por trás da tela.
É por isso que combater os maus-tratos no ambiente digital exige não apenas retirar vídeos do ar, mas também identificar responsáveis, localizar animais em risco e investigar possíveis redes envolvidas na produção e circulação desse material.
O caso dos gatos investigado pelas autoridades brasileiras mostra como tecnologia e investigação digital também passaram a fazer parte da proteção animal.
Para quem encontra esse tipo de conteúdo nas redes, a orientação mais importante é: não tratar a violência como entretenimento, não estimular sua circulação e denunciar.




