Flores e jardins ganham espaço com a nova estação, mas espécies comuns dentro de casa também podem provocar intoxicação; veja quais cuidados tomar
A primavera começa nesta terça-feira, 22 de setembro, trazendo de volta uma combinação que muita gente adora: dias mais longos, temperaturas em elevação, jardins floridos e mais tempo ao ar livre.
Para quem tem cães ou gatos, porém, existe um detalhe que merece atenção.
Algumas das plantas que decoram casas, apartamentos, varandas e jardins podem ser tóxicas para os animais.
E não adianta confiar apenas no instinto do pet.
Um cachorro curioso pode mastigar folhas.
Um filhote pode brincar com uma flor.
Um gato pode alcançar uma planta colocada sobre um móvel.
Por isso, a chegada da primavera é uma boa oportunidade para olhar novamente para as plantas que existem dentro de casa.
Conheça algumas que merecem atenção.
1. Comigo-ninguém-pode
É uma das plantas ornamentais mais conhecidas dos brasileiros.
Também é uma das que merecem maior cuidado em casas com animais.
A comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia sp.) aparece com destaque em um levantamento realizado por estudantes da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo sobre plantas relacionadas a intoxicações de animais.
O contato e a mastigação podem provocar intensa irritação.
Entre os problemas descritos estão irritação e edema na boca, língua e região da garganta, além de dificuldade para engolir e alterações gastrointestinais.
O problema é que suas folhas grandes podem despertar a curiosidade dos animais.
Principalmente de filhotes.
2. Azaleia
Bonita, colorida e muito utilizada em jardins.
A azaleia também aparece entre as plantas que podem representar perigo para os pets.
A ingestão pode provocar alterações gastrointestinais e outros quadros de intoxicação.
Como é uma planta encontrada não apenas dentro das residências, mas também em jardins e áreas externas, o cuidado precisa continuar durante os passeios.
Não permita que o cachorro mastigue plantas desconhecidas na rua.
3. Espada-de-são-jorge
Resistente e fácil de cultivar, a espada-de-são-jorge tornou-se presença comum na decoração de casas e apartamentos.
Mas “natural” não significa automaticamente “seguro”.
A espécie aparece nos materiais educativos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP entre as plantas que podem causar intoxicação em animais domésticos.
Se existe um cão ou gato que costuma mastigar folhas, o ideal é impedir o acesso.
4. Antúrio
O antúrio chama atenção pelas folhas e pelas estruturas coloridas que costumam ser usadas na decoração.
Mas também exige cuidado.
A planta integra as listas de espécies ornamentais que podem provocar problemas em cães e gatos.
O risco é especialmente relevante porque ela pode permanecer dentro de casa durante todo o ano.
A chegada da primavera, portanto, serve mais como um lembrete:
revise as plantas que já estão no ambiente do pet.
5. Bico-de-papagaio
Conhecido também pela forte presença na decoração de fim de ano, o bico-de-papagaio é outra espécie citada por especialistas quando o assunto é intoxicação de animais por plantas.
O cuidado deve ser simples:
não permita que o pet mastigue folhas, caules ou outras partes da planta.
Se houver suspeita de ingestão, procure orientação veterinária.
6. Crisântemo
Flores também podem representar risco.
O crisântemo é uma das espécies citadas pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo entre as plantas que exigem atenção dos tutores.
E esse é um ponto importante para a primavera.
Muitas famílias compram flores justamente nesta época para decorar a casa.
Antes de levar um novo vaso para um ambiente onde vivem cães ou gatos, vale pesquisar o nome da espécie e verificar se ela é segura.
7. Lírios: atenção especial para quem tem gatos
Aqui o cuidado merece destaque.
Os lírios estão entre as flores que devem ser tratadas com muita cautela em casas com gatos.
Para os felinos, determinadas espécies de lírios podem causar intoxicações graves.
Por isso, se houver gato em casa, não basta simplesmente colocar o vaso “um pouco mais alto”.
Gatos alcançam prateleiras, mesas, bancadas e outros lugares que parecem inacessíveis.
Quando existe dúvida sobre a segurança da espécie, a alternativa mais prudente é não permitir o acesso.
“Meu animal nunca mexeu nas plantas”
Isso diminui a possibilidade de contato, mas não elimina completamente o risco.
O comportamento pode mudar.
Um filhote pode começar a explorar.
Um gato pode derrubar um vaso.
Um cachorro pode mastigar uma folha durante uma brincadeira.
Tédio e alterações na rotina também podem favorecer comportamentos exploratórios.
Por isso, prevenção é mais segura do que depender exclusivamente do histórico do animal.
Não confie na ideia de que o animal “sabe o que pode comer”
Existe um mito de que cães e gatos conseguiriam reconhecer naturalmente aquilo que é venenoso.
Não é uma estratégia segura.
Animais domésticos podem ingerir plantas, alimentos, medicamentos e outras substâncias capazes de causar intoxicação.
Filhotes merecem atenção ainda maior por causa da curiosidade e do hábito de explorar objetos com a boca.
Quais sinais podem indicar intoxicação?
Os sintomas variam conforme a planta, a quantidade ingerida e as características do animal.
Entre os sinais que podem aparecer estão:
- vômito;
- diarreia;
- salivação excessiva;
- irritação na boca;
- dificuldade para engolir;
- apatia;
- alterações de coordenação;
- tremores ou convulsões;
- alterações cardíacas ou neurológicas em determinados tipos de intoxicação.
Isso não significa que todo animal com vômito tenha ingerido uma planta.
Existem inúmeras outras causas.
O histórico é justamente uma das informações que podem ajudar o médico-veterinário.
Suspeitou que o pet comeu uma planta? Não provoque vômito
Esse cuidado é fundamental.
Não tente fazer o cachorro ou gato vomitar por conta própria.
Também não ofereça leite, óleo, medicamentos humanos ou receitas caseiras na tentativa de “neutralizar” a substância.
Dependendo do agente envolvido, essas medidas podem piorar a situação.
Procure atendimento veterinário.
Fotografe a planta
Existe uma atitude muito simples que pode ajudar bastante.
Se o animal ingeriu uma planta desconhecida, tire fotografias dela.
Fotografe:
- folhas;
- flores;
- caule;
- vaso;
- etiqueta com o nome, se houver.
Se for possível fazer isso com segurança, uma amostra também pode auxiliar na identificação.
Saber exatamente qual planta foi ingerida pode ser importante para definir a conduta veterinária.
Não é preciso transformar a casa em um lugar sem plantas
A prevenção não significa necessariamente abandonar todas as plantas.
O objetivo é conhecer aquilo que existe dentro de casa e avaliar o risco para aquele animal.
Algumas espécies podem ser mantidas completamente fora do alcance.
Outras podem ser substituídas por opções consideradas seguras.
Mas existe uma diferença importante entre cães e gatos.
Colocar um vaso sobre um móvel alto pode funcionar para determinado cachorro.
Para um gato acostumado a escalar móveis, provavelmente não.
A organização precisa considerar o comportamento do animal.
O jardim também merece uma revisão
Quem mora em casa deve observar não apenas os vasos internos.
Veja o que cresce no jardim.
Descubra o nome das espécies.
Observe se o cachorro costuma mastigar plantas.
E tenha atenção especial quando houver filhotes.
Durante passeios, também evite permitir que o animal coma flores, folhas, sementes ou frutos encontrados pelo caminho.
Mesmo quando uma planta não é tóxica, ela pode ter recebido produtos químicos ou estar contaminada.
Primavera traz outros cuidados
As plantas não são a única mudança da estação.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo alerta que o aumento das temperaturas, umidade e presença de insetos também modifica alguns riscos para cães e gatos.
Animais predispostos podem apresentar alergias relacionadas ao pólen.
Pulgas, carrapatos e insetos também merecem atenção.
Passeios mais frequentes aumentam ainda a exposição dos animais a jardins, parques e diferentes ambientes externos.
Por isso, a chegada da primavera é uma boa oportunidade para revisar a prevenção do pet como um todo.
Abelhas também merecem atenção
Flores atraem polinizadores.
E cães curiosos podem tentar capturar insetos com a boca.
Picadas de abelhas e outros insetos podem provocar dor e inchaço e, em animais sensíveis, reações mais importantes.
Se houver inchaço intenso, dificuldade respiratória, fraqueza ou qualquer reação preocupante depois de uma picada, procure atendimento veterinário rapidamente.
Faça uma “vistoria pet” antes da primavera
Aproveite a mudança de estação para fazer uma pequena inspeção dentro de casa.
1. Descubra o nome das suas plantas.
Não vale apenas “aquela planta verde da sala”.
2. Pesquise se são tóxicas para cães ou gatos.
Consulte fontes veterinárias confiáveis.
3. Observe o alcance do seu pet.
Principalmente se houver gatos.
4. Revise varanda e jardim.
O risco não está somente dentro de casa.
5. Oriente toda a família.
Crianças também precisam saber que não devem oferecer folhas ou flores aos animais.
6. Tenha o contato do veterinário acessível.
Em uma emergência, tempo faz diferença.
Uma flor bonita pode esconder um risco
A primavera não precisa ser encarada como uma estação perigosa para os animais.
Muito pelo contrário.
Dias agradáveis podem significar mais passeios, atividades ao ar livre e momentos compartilhados com os pets.
A diferença está na informação.
Muitas intoxicações acontecem justamente porque o tutor não sabia que aquela planta comum na sala, na varanda ou no jardim poderia representar algum perigo.
Antes de comprar uma nova flor nesta primavera, portanto, acrescente uma pergunta à escolha:
“Ela é segura para o meu cachorro ou gato?”
Pode ser uma pergunta simples.
Mas pode evitar uma emergência veterinária.




