Banco Municipal de Ração apoia animais resgatados e tutores em dificuldade; nova ferramenta permite acompanhar quanto alimento é arrecadado e distribuído na cidade
São centenas de quilos de ração todos os meses.
Para uma ONG que mantém dezenas ou centenas de cães resgatados, garantir alimento diariamente pode representar uma das maiores despesas da rotina.
Em Curitiba, uma iniciativa pública tenta ajudar a dividir esse peso.
A Rede de Proteção Animal realizou nesta semana o repasse de 6,5 toneladas de ração por meio do Banco Municipal de Ração.
Os alimentos foram destinados a 13 organizações de proteção animal que cuidam de cães na cidade.
Mas a ajuda não ficou restrita às ONGs.
Outras 170 pessoas em situação de vulnerabilidade, acompanhadas pela Rede de Proteção Animal e que possuem cães, também receberam ração.
As entregas foram realizadas no Centro de Referência de Animais em Risco (Crar), na Cidade Industrial de Curitiba.
6,5 toneladas em uma única entrega
Para entender a dimensão da ação, basta transformar toneladas em quilos.
Foram 6.500 quilos de alimento distribuídos nesta etapa.
A quantidade ajuda organizações que enfrentam uma realidade conhecida por quem trabalha com resgate animal: alimentar todos os dias animais que ainda aguardam adoção.
Uma das entidades beneficiadas foi a ONG Audote um Amiguinho.
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura, a organização mantém cerca de 300 cães e ainda auxilia animais que vivem nas ruas.
A voluntária Thaysse Pamela Pereira Carvalho relatou que o consumo chega a aproximadamente 400 quilos de ração por semana.
Nesse cenário, cada doação representa mais tempo para que os recursos da entidade possam ser direcionados também a outras necessidades.
E o Banco de Ração não atende somente animais de ONGs
Existe outro aspecto importante no programa.
Pessoas em situação de vulnerabilidade também podem precisar de apoio para continuar cuidando dos animais que vivem com elas.
Nesta distribuição, 170 pessoas acompanhadas pela Rede de Proteção Animal receberam alimentos para seus cães.
Essa atuação toca em uma questão importante da proteção animal.
Em determinadas situações, ajudar o tutor também significa ajudar o animal.
Dificuldade financeira não necessariamente significa falta de vínculo ou de afeto.
Quando existe uma rede capaz de fornecer apoio temporário, ela pode contribuir para que o animal continue alimentado e permaneça com sua família.
Quanto o programa já arrecadou em 2026?
Curitiba passou a disponibilizar uma ferramenta chamada Tonelômetro, que permite acompanhar os números do Banco Municipal de Ração.
Os dados divulgados pela Prefeitura mostram que, em 2026, até esta semana, foram arrecadadas:
🐶 53,35 toneladas de ração para cães
🐱 3,5 toneladas de ração para gatos
Somadas, são 56,85 toneladas de alimentos.
Desse total, os repasses realizados para ONGs, protetores independentes e pessoas em situação de vulnerabilidade já alcançaram:
🐶 39,7 toneladas para cães
🐱 3,1 toneladas para gatos
Ou seja, mais de 42 toneladas de ração já foram destinadas aos beneficiários neste ano.
O que é o Banco Municipal de Ração?
O Banco Municipal de Ração de Curitiba foi criado em 2019.
A proposta é receber alimentos destinados a cães e gatos e encaminhá-los a quem atua diretamente com animais em situação de risco ou enfrenta dificuldades para garantir sua alimentação.
Entre os públicos atendidos estão organizações da sociedade civil cadastradas, protetores independentes e pessoas em situação de vulnerabilidade, conforme os critérios do programa.
A iniciativa funciona a partir de arrecadações e parcerias.
Isso significa que a própria população também pode participar.
Qualquer pessoa pode doar?
Sim.
O programa aceita contribuições de pessoas físicas e empresas.
As doações de ração podem ser entregues no Centro de Referência de Animais em Risco (Crar), na Rua Lodovico Kaminski, 1.381, na CIC.
Além da doação física de alimentos, a Prefeitura informa que também é possível realizar contribuições financeiras eletrônicas, inclusive via Pix.
Segundo o município, esses recursos são destinados exclusivamente à compra de rações e produtos alimentícios para cães e gatos.
Antes de realizar qualquer contribuição financeira, a recomendação é sempre conferir os dados diretamente nos canais oficiais da Prefeitura ou da Rede de Proteção Animal.
Por que uma doação de ração faz tanta diferença?
Quando pensamos em resgate animal, normalmente lembramos primeiro do momento em que um cão ou gato é retirado da rua.
Mas o resgate não termina ali.
Depois vêm alimentação, vacinação, vermifugação, exames, medicamentos, castração, abrigo, higiene e acompanhamento até que uma família seja encontrada.
E existe uma despesa que acontece absolutamente todos os dias:
comida.
Um animal pode permanecer semanas, meses ou até anos sob responsabilidade de uma organização.
Quando multiplicamos uma porção diária por dezenas ou centenas de animais, o volume necessário torna-se enorme.
Por isso, ração está entre as doações mais úteis para muitas entidades.
Antes de doar, confira o que realmente é necessário
A vontade de ajudar é importante, mas uma boa doação também precisa ser útil.
Antes de levar alimentos diretamente para uma ONG, vale perguntar:
Qual tipo de ração está fazendo mais falta?
Uma entidade pode estar precisando principalmente de alimento para filhotes.
Outra pode cuidar de muitos gatos.
Outra pode necessitar de ração para animais adultos.
Também é importante observar a validade e as condições da embalagem.
Doar não deve significar simplesmente entregar algo que não utilizaríamos mais.
O objetivo é fornecer alimento em condições adequadas para os animais.
Ração aberta merece atenção
Pacotes já abertos exigem cuidado maior porque podem ter sido expostos a umidade, insetos, contaminação ou armazenamento inadequado.
Para campanhas oficiais, o doador deve conferir previamente as condições estabelecidas pelo programa.
Quando a contribuição for diretamente para uma ONG ou protetor, pergunte antes se aquele tipo de doação é aceito.
Isso evita desperdício e facilita o armazenamento.
Dinheiro também pode ajudar mas verifique antes
Doações financeiras permitem que organizações comprem exatamente aquilo de que precisam naquele momento.
Mas a segurança é fundamental.
Golpes utilizando fotografias de animais e campanhas falsas existem.
Antes de transferir dinheiro para uma campanha particular:
- confirme quem está realizando a arrecadação;
- procure os canais oficiais da organização;
- confira os dados do recebedor;
- desconfie de perfis recém-criados ou informações inconsistentes;
- não faça transferências apenas porque recebeu uma mensagem encaminhada.
No caso de programas públicos, utilize somente os dados divulgados pelos canais oficiais.
A ajuda não precisa ser apenas financeira
Nem todo mundo consegue doar dinheiro ou grandes sacos de ração.
Ainda assim, existem outras formas de contribuir com a proteção animal.
ONGs podem precisar de:
- divulgação de animais para adoção;
- lares temporários;
- transporte;
- cobertores e materiais;
- voluntários;
- participação em feiras de adoção;
- compartilhamento de campanhas legítimas.
Uma publicação compartilhada pode ajudar um cachorro a encontrar uma família.
Um lar temporário pode liberar uma vaga para outro animal ser resgatado.
Uma pequena doação, somada a centenas de outras, pode alimentar muitos animais.
Transparência também faz parte da proteção animal
A criação do Tonelômetro acrescenta outro elemento importante ao programa de Curitiba.
A população passa a poder acompanhar quanto alimento foi arrecadado e quanto foi repassado.
Isso permite enxergar de maneira concreta o caminho das doações.
Transparência é especialmente relevante em iniciativas que dependem da confiança de pessoas e empresas para continuar recebendo contribuições.
Quanto mais fácil for acompanhar os resultados, mais condições o cidadão tem de entender o impacto de sua participação.
Alimentar também é proteger
Castração, vacinação, atendimento veterinário e adoção costumam receber grande destaque quando falamos em políticas de proteção animal.
Mas existe uma necessidade ainda mais básica acontecendo todos os dias.
Todo animal precisa comer.
Para quem cuida de centenas deles, isso representa toneladas de alimento ao longo do ano.
As 6,5 toneladas distribuídas nesta semana em Curitiba mostram a dimensão desse desafio.
E também mostram o que acontece quando muitas formas de ajuda se encontram: poder público, empresas, organizações, protetores e cidadãos contribuindo para manter animais alimentados enquanto esperam uma nova família ou para que continuem ao lado de tutores que atravessam um momento de dificuldade.
Às vezes, ajudar um animal começa com algo tão simples quanto colocar comida no pote.
Com informações: www.curitiba.pr.gov.br




