Pesquisa que acompanhou Labradores durante toda a vida mostrou maior longevidade e aparecimento mais tardio de doenças entre os cães mantidos em condição corporal mais magra

Uns quilinhos a mais podem parecer inofensivos, especialmente quando o cachorro continua brincando, comendo normalmente e pedindo aquele petisco extra.

Mas controlar o peso pode fazer diferença não apenas na aparência ou na mobilidade do animal, mas também em quanto tempo ele vive.

Um estudo de longa duração acompanhou 48 cães da raça Labrador Retriever durante 14 anos e encontrou uma diferença expressiva: os animais mantidos em condição corporal mais magra tiveram vida mediana de 13 anos, contra 11,2 anos no grupo de comparação.

São 1,8 ano a mai, aproximadamente 15% de diferença.

Um estudo que acompanhou os cães por toda a vida

Conhecido como Purina Life Span Study, o trabalho começou com 48 Labradores de sete ninhadas.

Os pesquisadores formaram pares de irmãos. Eles recebiam dietas completas e balanceadas, mas um cachorro de cada dupla recebia 25% menos alimento que o irmão, com o objetivo de manter uma condição corporal mais magra.

Os resultados não ficaram restritos à longevidade.

Os cães mantidos mais magros chegaram, em média, aos 12 anos antes de necessitarem de tratamento para doenças crônicas relacionadas à idade. No outro grupo, isso aconteceu aos 9,9 anos.

As articulações também apresentaram diferença

Outro resultado chama bastante atenção.

Aos oito anos, 10% dos cães mantidos magros apresentavam osteoartrite em duas ou três articulações avaliadas, enquanto no grupo de comparação essa proporção chegou a 77%.

Isso não significa que manter o cachorro magro seja garantia de que ele nunca terá problemas articulares ou outras doenças.

Raça, genética, idade, atividade física e diferentes condições de saúde também interferem no envelhecimento.

Além disso, o estudo envolveu apenas Labradores, em condições controladas. Portanto, não é correto afirmar que todo cachorro no peso ideal necessariamente viverá exatamente 1,8 ano a mais.

O resultado mostra uma associação importante entre condição corporal adequada e envelhecimento mais saudável.

Mas como saber se meu cachorro está acima do peso?

A balança sozinha não responde.

Um Labrador de 30 quilos, por exemplo, pode ter uma condição corporal completamente diferente de outro cachorro com o mesmo peso.

Na medicina veterinária, uma das ferramentas utilizadas é o escore de condição corporal, que considera características como a facilidade de sentir as costelas, a cintura observada de cima e o contorno abdominal do animal.

Em uma escala de nove pontos utilizada pelo Purina Institute, os escores 4 e 5 são considerados ideais para cães.

Na prática, o melhor é pedir ao médico-veterinário que avalie a condição corporal durante as consultas.

Cortar a ração pela metade não é a solução

A pesquisa também não deve ser interpretada como recomendação para simplesmente reduzir drasticamente a quantidade de comida oferecida em casa.

As necessidades calóricas variam conforme idade, porte, raça, nível de atividade, castração e condições de saúde.

Um plano de emagrecimento mal conduzido pode provocar deficiências nutricionais e perda de massa muscular.

Também é preciso lembrar dos alimentos que entram na conta sem que o tutor perceba: petiscos, biscoitos, restos da mesa e pequenas recompensas oferecidas ao longo do dia também fornecem calorias.

O objetivo não é um cachorro “magrinho”

O estudo voltou a receber destaque em outubro de 2026 justamente pelos 25 anos da divulgação de seus resultados, que continuam sendo utilizados em pesquisas sobre envelhecimento canino.

A mensagem, porém, não é colocar todo cachorro em dieta.

É manter uma condição corporal saudável durante a vida, com alimentação adequada, atividade física compatível com cada animal e acompanhamento veterinário.

Porque talvez um dos maiores gestos de carinho seja justamente aquele que muitos tutores têm dificuldade de praticar:

saber quando não oferecer mais um petisco.

Fontes

  • Purina Institute — estudo de longevidade e condição corporal em cães
  • Purina News Center — 25 anos do Life Span Study
  • Panorama PetVet — repercussão do estudo em outubro de 2026

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!