Pesquisa com 293 crianças mostra associação entre a participação nos cuidados com animais e habilidades cognitivas; descoberta ganha destaque neste Dia das Crianças
Ter um cachorro ou gato em casa pode representar muito mais do que companhia e momentos de diversão para as crianças.
Um estudo publicado em agosto de 2026 na revista científica Anthrozoös identificou que crianças que participam mais ativamente dos cuidados com seus animais de estimação apresentam melhores indicadores de memória de trabalho e autocontrole.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade La Trobe, na Austrália, analisou informações de 293 crianças entre 4 e 12 anos. Os resultados ajudam a compreender como a convivência responsável com animais pode estar relacionada ao desenvolvimento infantil.
O que os pesquisadores descobriram?
O estudo avaliou informações fornecidas pelos pais e responsáveis sobre a relação das crianças com seus animais.
Entre os participantes, 151 conviviam principalmente com cães e 142 com gatos.
Os pesquisadores observaram que crianças mais envolvidas em atividades de cuidado apresentavam menos dificuldades relacionadas a duas habilidades importantes:
- Memória de trabalho: capacidade de manter e utilizar informações durante uma atividade.
- Autocontrole: habilidade de controlar impulsos, atenção e comportamento.
A associação apareceu tanto entre crianças que cuidavam de cachorros quanto entre aquelas que conviviam com gatos.
Não basta apenas ter um animal em casa
Um dos resultados mais interessantes foi a diferença entre gostar do pet e participar efetivamente de seus cuidados.
Segundo a pesquisa, o envolvimento nas tarefas apresentou uma associação mais consistente com as habilidades avaliadas do que o vínculo emocional isoladamente.
Isso sugere que atividades cotidianas, como lembrar o horário da alimentação, ajudar a trocar a água e respeitar as necessidades do animal, podem oferecer oportunidades de exercitar organização e responsabilidade.
Entretanto, os cientistas ressaltam que o estudo não comprova uma relação de causa e efeito. Também é possível que crianças com maior capacidade de organização participem mais dos cuidados.
Como incluir as crianças nos cuidados?
A participação deve respeitar a idade e a capacidade de cada criança.
Os pequenos podem ajudar a separar brinquedos, acompanhar a troca de água e participar de brincadeiras supervisionadas.
Conforme crescem, podem assumir tarefas simples, sempre com acompanhamento de um adulto.
A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que a convivência com animais pode favorecer o aprendizado de responsabilidade, empatia e respeito aos outros seres vivos.
Mas reforça que a família precisa estar preparada para assumir os cuidados necessários durante toda a vida do pet.
O pet não deve ser um presente por impulso
Neste Dia das Crianças, a descoberta também traz uma reflexão importante.
Embora a convivência com animais possa proporcionar experiências positivas, adotar um cachorro ou gato apenas para ensinar responsabilidade a uma criança não é uma boa decisão.
Um animal precisa de alimentação adequada, atendimento veterinário, atenção, segurança e cuidados contínuos.
A responsabilidade principal deve permanecer com os adultos.
Uma amizade que também ensina
Os resultados da pesquisa reforçam que a relação entre crianças e animais pode envolver aprendizados que vão além do carinho.
Cuidar de outro ser vivo exige atenção, paciência e respeito às suas necessidades.
Neste Dia das Crianças, a mensagem é simples: mais importante do que apenas ter um pet é aprender a conviver com ele de maneira responsável.




