Consultas são realizadas na Clínica Veterinária Escola da PUCPR e fazem parte das ações de enfrentamento a uma zoonose que vem avançando no Paraná

Tutores de Curitiba que tenham gatos com sinais de esporotricose podem contar com atendimento veterinário gratuito por meio da Rede de Proteção Animal do município. Nesta quarta-feira (2), há uma agenda específica de consultas na Clínica Veterinária Escola da PUCPR, no bairro Rebouças.

O serviço é voltado a gatos potencialmente acometidos pela doença, especialmente animais que apresentam feridas na pele principalmente na face e nas patas ou problemas respiratórios. O atendimento é realizado exclusivamente mediante agendamento pelo portal da Rede de Proteção Animal e está sujeito à disponibilidade de vagas.

A iniciativa ganha importância diante do avanço da esporotricose no Paraná. A doença é uma infecção causada por fungos do gênero Sporothrix e pode atingir tanto animais quanto seres humanos.

Por que os gatos merecem atenção especial?

Embora diferentes animais possam ser acometidos, os gatos têm papel particularmente importante na transmissão zoonótica da esporotricose.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), a transmissão para pessoas pode ocorrer principalmente pelo contato direto com lesões de gatos infectados, além de arranhaduras e mordidas. Nos felinos, são comuns nódulos e feridas ulceradas, principalmente na cabeça, nas patas e na cauda, que podem se espalhar para outras partes do corpo.

Isso não significa que o gato deva ser visto como culpado pela doença. Pelo contrário: identificar rapidamente os sinais e tratar o animal é uma das formas de interromper a cadeia de transmissão.

Paraná registrou milhares de casos em gatos

Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde ajudam a dimensionar o problema. Em 2025, foram notificados no Paraná 5.735 casos de esporotricose felina e 1.230 casos em humanos.

O Estado também distribuiu 310.250 cápsulas de itraconazol aos municípios durante 2025 para tratamento de gatos diagnosticados com a doença. Em janeiro de 2026, aproximadamente outras 67,5 mil cápsulas já haviam sido encaminhadas às regionais de saúde.

A esporotricose humana e animal é de notificação compulsória no Paraná desde 2022. A Sesa afirma que o aumento das notificações está relacionado tanto à expansão da doença quanto ao fortalecimento da vigilância e da identificação dos casos.

Quais sinais o tutor deve observar?

Feridas que não cicatrizam merecem atenção, principalmente quando aparecem no rosto, focinho, orelhas ou patas do gato.

Também podem ocorrer áreas sem pelo e outras alterações. Nos casos atendidos pelo programa de Curitiba, a Prefeitura também chama a atenção para problemas respiratórios associados aos animais potencialmente acometidos pela doença.

A presença desses sinais não significa automaticamente que o animal tenha esporotricose. O diagnóstico deve ser feito por um médico-veterinário.

Suspeitou da doença? Não abandone o animal

O Ministério da Saúde recomenda que animais com suspeita de esporotricose sejam mantidos separados de pessoas e de outros animais até avaliação veterinária. O uso de luvas durante o manejo também é recomendado.

Se o diagnóstico for confirmado, o tratamento deve ser realizado corretamente e o animal não deve ser abandonado. O abandono de um gato infectado pode contribuir para a disseminação do fungo no ambiente e para novos casos.

Também é importante evitar automedicação ou interromper o tratamento por conta própria.

Como funciona o atendimento gratuito em Curitiba?

As consultas desta quarta-feira (2) acontecem na Clínica Veterinária Escola da PUCPR, na Rua Rockefeller, 1.311, no Rebouças.

Segundo a Rede de Proteção Animal, o serviço é destinado a responsáveis por animais de Curitiba e prioriza participantes do Programa Armazém da Família, protetores independentes e organizações da sociedade civil com cadastro ativo.

É necessário realizar o agendamento previamente pelo portal da Prefeitura, respeitando os requisitos e a disponibilidade de vagas. O responsável deve comparecer com documentos pessoais e comprovante de endereço.

Os gatos atendidos pelo programa também podem receber microchip eletrônico de identificação, vinculado aos dados do responsável pelo animal.

Para os tutores, a principal orientação é simples: diante de uma ferida persistente ou outro sinal suspeito, procurar atendimento veterinário rapidamente. Além de aumentar as chances de recuperação do gato, o diagnóstico e o tratamento corretos ajudam a proteger outros animais e também as pessoas que convivem com ele.

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