Escovação dos dentes e acompanhamento veterinário ajudam a prevenir problemas que podem causar dor, inflamação e perda dentária
Aquele “bafo de pet” que muita gente considera normal pode ser um sinal de que algo não vai bem.
O mau hálito persistente em cães e gatos merece atenção porque pode estar relacionado ao acúmulo de placa bacteriana, tártaro e problemas periodontais.
E cuidar dos dentes dos animais não é apenas uma questão de estética. A saúde bucal faz parte do bem-estar e da qualidade de vida dos pets.
Segundo orientação do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), cuidados simples no dia a dia, associados ao acompanhamento de um médico-veterinário, são importantes para prevenir doenças bucais.
Veja alguns cuidados que podem fazer parte da rotina.
1. Observe o hálito do seu pet
Um odor desagradável persistente pode ser um dos primeiros sinais percebidos pelo tutor.
Isso não significa que qualquer alteração no hálito indique uma doença grave, mas mudanças importantes não devem ser simplesmente consideradas normais.
Se o mau hálito persistir ou vier acompanhado de outros sintomas, procure orientação veterinária.
2. Acostume o animal à escovação
A escovação é uma das principais medidas para prevenir o acúmulo de placa bacteriana nos dentes.
O ideal é que o pet seja acostumado ao procedimento gradualmente.
Começar devagar, respeitar os limites do animal e transformar o momento em uma experiência positiva pode facilitar a adaptação.
A recomendação veterinária é que a escovação seja feita diariamente sempre que possível.
3. Nunca use pasta de dente humana
Esse é um cuidado simples, mas muito importante.
Produtos destinados às pessoas não devem ser utilizados para escovar os dentes dos animais.
Cães e gatos precisam de produtos desenvolvidos especificamente para uso veterinário.
Como o animal não consegue enxaguar e cuspir o produto como uma pessoa, utilizar uma pasta inadequada pode representar risco.
Na dúvida sobre qual produto escolher, converse com o médico-veterinário.
4. Observe os dentes e a gengiva
Além do mau hálito, o tutor pode ficar atento a mudanças visíveis na boca do animal.
Acúmulo de tártaro, gengiva avermelhada ou inchada, sangramento, dificuldade para mastigar e desconforto ao tocar a região da boca são sinais que merecem avaliação.
Mudanças na forma como o animal se alimenta também podem indicar desconforto.
Um pet que começa a evitar alimentos mais duros, mastigar somente de um lado ou deixar a comida cair durante a refeição precisa ser observado.
5. Não tente remover tártaro em casa
Ao perceber aquela camada endurecida sobre os dentes, pode surgir a tentação de tentar raspá-la.
Não faça isso.
Procedimentos para avaliação e tratamento da doença periodontal devem ser conduzidos por médico-veterinário.
Além do risco de machucar o animal, aquilo que aparece externamente pode ser apenas uma parte do problema.
6. Produtos para higiene bucal não substituem avaliação veterinária
Existem diferentes produtos desenvolvidos para auxiliar nos cuidados odontológicos dos animais.
Mas eles não devem ser encarados como substitutos automáticos da escovação ou do acompanhamento profissional.
Cada pet tem características próprias, e a estratégia de prevenção mais adequada pode variar conforme idade, espécie e condição da boca.
Antes de introduzir produtos na rotina, especialmente quando o animal já apresenta alterações bucais, vale buscar orientação profissional.
7. Inclua a boca no check-up do pet
Muitas vezes o tutor lembra das vacinas, da alimentação, do controle de pulgas e carrapatos e dos exames de rotina, mas esquece dos dentes.
A avaliação da boca também deve fazer parte dos cuidados preventivos.
Problemas odontológicos podem provocar dor e desconforto e, quando avançam, comprometer a qualidade de vida do animal.
Por isso, não espere o pet demonstrar dificuldade evidente para comer para procurar ajuda.
Quais sinais merecem atenção?
Procure orientação veterinária se perceber:
- mau hálito persistente;
- tártaro em grande quantidade;
- gengiva vermelha, inchada ou sangrando;
- dificuldade ou dor para mastigar;
- dentes quebrados ou aparentemente soltos;
- salivação diferente do habitual;
- recusa de alimentos;
- desconforto quando a região da boca é tocada.
Esses sinais podem ter diferentes causas e precisam ser avaliados individualmente.
Prevenção começa em casa
Cuidar da saúde bucal do pet não precisa começar quando surge um problema.
Criar uma rotina preventiva desde cedo pode facilitar a adaptação à escovação e permitir que o tutor perceba alterações com maior rapidez.
O principal é lembrar que mau hálito persistente não deve ser tratado apenas como uma característica normal de cães e gatos.
Assim como vacinação, alimentação adequada e consultas periódicas, cuidar dos dentes também faz parte da guarda responsável.
Fonte: crmvsp.gov.br/




