Setembro Vermelho chama atenção para doenças cardíacas em cães e gatos, que podem evoluir silenciosamente e exigir acompanhamento veterinário
Cansaço depois de uma caminhada curta, uma tosse que começou a aparecer com frequência ou aquela disposição que já não é mais a mesma.
É fácil atribuir essas mudanças à idade do animal. Mas, em alguns casos, elas podem indicar que o coração do pet precisa de atenção.
Durante o Setembro Vermelho, campanha de conscientização sobre a saúde cardiovascular, tutores de cães e gatos também são convidados a olhar com mais atenção para o coração dos animais.
Doenças cardíacas podem surgir e evoluir durante algum tempo sem apresentar sinais facilmente percebidos em casa. Por isso, além de observar mudanças na rotina, o acompanhamento veterinário é importante para identificar alterações precocemente.
Conheça alguns sinais que merecem atenção.
1. Cansaço maior que o habitual
Seu cachorro fazia determinado percurso tranquilamente e agora começa a parar no meio do passeio?
Ou deixou de demonstrar disposição para atividades que antes faziam parte da rotina?
A redução da tolerância ao exercício pode aparecer em animais com problemas cardiovasculares.
Isso não significa que todo cachorro cansado tenha uma doença cardíaca. Calor, idade, obesidade e diversas outras condições também podem provocar alterações na disposição.
O que deve chamar a atenção é principalmente uma mudança em relação ao comportamento habitual daquele animal.
2. Tosse recorrente
Uma tosse que aparece repetidamente não deve ser ignorada.
Problemas respiratórios e diversas outras condições podem provocar tosse em cães, mas alterações cardíacas também estão entre as possibilidades.
Por isso, não é recomendável tentar descobrir a causa apenas observando o animal em casa.
Se a tosse persistir, procure um médico-veterinário.
3. Respiração diferente
Mudanças na respiração estão entre os sinais que exigem atenção.
Respiração acelerada ou dificuldade para respirar podem estar associadas a problemas cardíacos, principalmente quando aparecem sem uma explicação evidente ou acompanhadas de outras alterações.
Nos quadros mais graves, dificuldade respiratória pode representar uma emergência.
Um animal com esforço evidente para respirar precisa de avaliação veterinária rapidamente.
4. Desmaios ou episódios de fraqueza
Um cão ou gato que desmaia precisa ser avaliado.
Alterações cardiovasculares estão entre as possíveis causas de episódios de desmaio, fraqueza ou tontura.
Mesmo que o pet aparentemente volte ao normal pouco depois, não é recomendado simplesmente ignorar o episódio.
Anotar quanto tempo durou, o que o animal estava fazendo antes e, quando possível e seguro, registrar um vídeo pode fornecer informações úteis ao médico-veterinário.
5. Menos disposição para brincar
Nem sempre o primeiro sinal será dramático.
Às vezes, a mudança aparece aos poucos.
O cachorro deixa de buscar a bolinha depois de poucas tentativas. O animal prefere permanecer deitado. Uma atividade que antes parecia fácil começa a exigir mais esforço.
Essas alterações podem ter diversas causas, inclusive o envelhecimento natural.
Mas mudanças persistentes na disposição merecem ser relatadas durante a consulta veterinária.
6. Alterações na cor da língua ou das mucosas
Mudanças importantes na coloração das mucosas também merecem atenção.
Em situações graves envolvendo comprometimento da oxigenação, língua e mucosas podem adquirir tonalidade azulada ou arroxeada.
Esse é um sinal que não deve ser acompanhado tranquilamente em casa à espera de melhora.
Procure atendimento veterinário imediatamente.
7. Barriga ou membros inchados
Em estágios avançados de determinadas cardiopatias, pode ocorrer acúmulo de líquido e aparecer aumento de volume abdominal ou inchaço.
Novamente, existem várias possíveis causas para essas alterações.
O tutor não deve tentar fazer o diagnóstico sozinho.
O importante é perceber que uma mudança física significativa precisa ser investigada.
O problema pode começar sem sintomas
Um dos desafios das doenças cardíacas nos animais é justamente o fato de algumas alterações começarem de maneira discreta.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) alerta que cardiopatias podem não apresentar sinais nas fases iniciais.
Durante uma consulta de rotina, a auscultação do coração pode revelar alterações, como sopros ou mudanças no ritmo cardíaco, que posteriormente podem exigir investigação complementar.
Dependendo do caso, o médico-veterinário poderá indicar exames específicos para compreender melhor o funcionamento do coração.
Cães idosos merecem atenção especial
A idade é um fator importante.
Algumas doenças cardiovasculares tornam-se mais frequentes conforme os cães envelhecem, especialmente alterações degenerativas das válvulas cardíacas.
Mas isso não significa que somente animais idosos possam apresentar cardiopatias.
Existem doenças congênitas e outras condições capazes de atingir animais mais jovens.
Raça, genética, histórico clínico e resultados encontrados durante a consulta também ajudam o veterinário a avaliar o risco individual.
E os gatos?
Os felinos também podem desenvolver doenças cardíacas e existe um desafio adicional.
Gatos são conhecidos por esconder sinais de desconforto e determinadas cardiopatias podem permanecer sem manifestações facilmente percebidas pelo tutor durante algum tempo.
Entre as alterações cardíacas encontradas nos felinos está a cardiomiopatia hipertrófica, caracterizada pelo espessamento do músculo cardíaco.
Por isso, não espere necessariamente uma tosse ou outro sinal muito evidente para considerar a saúde cardiovascular do gato.
O acompanhamento veterinário preventivo também é importante para eles.
Check-up ajuda a encontrar alterações antes que o tutor perceba
A principal mensagem do Setembro Vermelho não é fazer o tutor tentar diagnosticar uma cardiopatia dentro de casa.
É justamente o contrário.
Observar o comportamento do animal é importante, mas o diagnóstico precisa ser feito por um médico-veterinário.
Durante a consulta, o profissional pode avaliar o coração, a respiração, as mucosas, o histórico do pet e outros parâmetros.
Se houver alguma suspeita, exames complementares podem ser indicados.
Não medique o pet por conta própria
Se aparecer tosse, cansaço ou qualquer outro sinal, não dê ao animal medicamentos utilizados por pessoas ou remédios prescritos anteriormente para outro pet.
Até animais com diagnósticos semelhantes podem precisar de tratamentos e doses diferentes.
Doenças cardíacas também podem exigir acompanhamento contínuo e ajustes ao longo do tempo.
O tratamento deve ser definido individualmente pelo médico-veterinário.
Quando procurar atendimento rapidamente?
Algumas situações não devem esperar pela próxima consulta de rotina.
Procure atendimento veterinário com urgência se o animal apresentar:
- dificuldade evidente para respirar;
- língua ou mucosas azuladas ou arroxeadas;
- desmaio;
- fraqueza intensa;
- piora súbita do estado geral.
Já alterações mais discretas e persistentes como tosse, cansaço ou redução da disposição também merecem avaliação, mesmo quando o pet aparentemente continua levando uma vida normal.
Conhecer o comportamento do seu pet também é prevenção
Quem convive diariamente com um cão ou gato possui uma vantagem importante: conhece a rotina daquele animal.
Por isso, pequenas mudanças podem ser percebidas primeiro pelo tutor.
A pergunta não precisa ser apenas “meu cachorro está cansado?”, mas também:
“Ele está se cansando mais do que costumava?”
O mesmo vale para brincadeiras, passeios, alimentação, respiração e comportamento.
Neste Setembro Vermelho, a principal orientação é simples: observe as mudanças, mantenha as consultas veterinárias em dia e não espere sintomas graves para cuidar do coração do seu pet.




