Pesquisa analisou 238 animais e encontrou microrganismos em 17% dos cães e quase 6% dos gatos; presença foi maior em cães idosos e com muito tártaro
Aquela lambida carinhosa do cachorro ganhou um novo motivo para despertar a curiosidade dos cientistas.
Um estudo publicado neste mês analisou a boca de 238 cães e gatos domésticos e identificou protozoários microscópicos que chamaram a atenção dos pesquisadores. Entre eles está o Trichomonas tenax, espécie encontrada também na boca de seres humanos.
O resultado levanta uma pergunta interessante: será que tutores e animais podem compartilhar esses microrganismos?
Por enquanto, a resposta é: ainda não sabemos.
A pesquisa encontrou espécies em comum, mas não demonstrou que os protozoários passaram dos humanos para os pets ou dos animais para as pessoas.
Protozoários foram encontrados em 17% dos cães
Pesquisadores da Universidade de Ciências Ambientais e da Vida de Wrocław, na Polônia, coletaram amostras da boca de 151 cães e 87 gatos.
Os tricomonadídeos foram identificados em:
- 26 dos 151 cães, o equivalente a 17,2%;
- 5 dos 87 gatos, ou 5,7%.
Duas espécies foram encontradas tanto nos cães quanto nos gatos: Trichomonas brixi e Trichomonas tenax.
Esta última chama atenção porque os seres humanos são considerados seus hospedeiros típicos.
Cães idosos e com muito tártaro tiveram maior ocorrência
Outro resultado interessante apareceu quando os pesquisadores observaram quais cães apresentavam esses microrganismos.
A presença dos protozoários foi significativamente maior entre os cães mais velhos, especialmente aqueles com 9 anos ou mais, e nos animais que apresentavam grande quantidade de cálculo dentário o popular tártaro.
Nos cães com mais de metade da superfície dos dentes coberta por cálculo, a ocorrência foi maior do que nos animais com melhor condição bucal.
Nos gatos, por outro lado, o estudo não encontrou diferenças estatisticamente significativas relacionadas à idade, ambiente em que viviam ou condição de higiene oral.
Isso significa que a lambida do cachorro transmite parasitas?
O estudo não permite chegar a essa conclusão.
Embora o Trichomonas tenax tenha sido identificado em seres humanos, cães e gatos, os pesquisadores não investigaram diretamente a transmissão entre os animais analisados e seus tutores.
Portanto, não há base para afirmar que um cachorro que lambe o rosto de uma pessoa necessariamente transmitirá esse protozoário — ou que tenha recebido o microrganismo dela.
Os próprios cientistas destacam que ainda são necessários novos estudos para compreender melhor o potencial de transmissão entre espécies.
O que isso muda para quem tem um pet?
O resultado reforça principalmente um cuidado que muitas vezes acaba ficando em segundo plano: a saúde bucal dos animais.
Tártaro intenso não deve ser encarado apenas como uma questão estética.
Mau hálito persistente, gengivas avermelhadas ou sangrando, dificuldade para mastigar, dentes amarelados ou cobertos por cálculo e alterações na forma de comer merecem atenção veterinária.
A prevenção também não significa simplesmente começar a escovar os dentes do animal de qualquer maneira. O ideal é receber orientação veterinária sobre escovação, produtos adequados e necessidade de avaliação ou tratamento odontológico.
Humanos e animais dividem mais do que a casa
A descoberta também mostra como a convivência cada vez mais próxima entre pessoas e animais abre novas perguntas para a ciência.
Cães dormem nas camas, gatos sobem no colo, potes e brinquedos circulam pela casa e lambidas fazem parte da rotina de muitas famílias.
Entender quais microrganismos podem estar presentes em diferentes espécies e se existe transmissão entre elas é uma área importante de investigação.
Por enquanto, o novo estudo traz uma pista interessante, mas não motivo para pânico.
Mais do que evitar o carinho do pet, a mensagem prática é não esquecer que a boca dele também precisa de cuidados.





